Redação
A taxa de juros do crédito rotativo do cartão alcançou 435,9% ao ano em fevereiro, segundo relatório divulgado pelo Banco Central. O índice representa alta de 11,4 pontos percentuais em relação a janeiro e reforça a preocupação com o custo do crédito no país.
De acordo com o levantamento, o nível de endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 49,7%, repetindo o patamar registrado no fim de 2025. Apesar da estabilidade, especialistas alertam que o alto custo dos juros pode agravar a situação financeira dos consumidores.
Diante do cenário, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou estudos ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para avaliar alternativas de redução das taxas cobradas no cartão de crédito.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o uso do rotativo é um problema estrutural, já que muitos consumidores utilizam o crédito como extensão da renda. Ele também ressaltou que parte da população não se considera endividada enquanto mantém pagamentos em dia, mesmo com parcelas acumuladas.
Além do cartão de crédito, o relatório aponta aumento na taxa de juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, que atingiu 59,4% ao ano — o maior nível da série histórica iniciada em 2011. Apesar disso, as concessões dessa modalidade caíram 22,5% em fevereiro, indicando redução na procura.
Outros segmentos apresentaram crescimento. O crédito imobiliário para pessoas físicas chegou a R$ 1,326 trilhão, com alta de 11,6% em 12 meses. Já o financiamento de veículos somou R$ 408,4 bilhões, com aumento de 16,2% no mesmo período.
O comprometimento da renda das famílias com dívidas também teve leve alta, passando de 29,2% para 29,3%. Sem considerar o crédito habitacional, o índice subiu para 27,1%.
Especialistas alertam que o uso inadequado do cartão de crédito pode levar a um ciclo de endividamento difícil de reverter. O pagamento mínimo da fatura e o uso contínuo do limite são apontados como principais fatores que contribuem para o aumento das dívidas.
Além disso, novos fatores, como gastos com apostas online, também têm contribuído para o agravamento da situação financeira de parte da população. Para analistas, a combinação de juros elevados, consumo impulsivo e falta de planejamento financeiro aumenta o risco de inadimplência no país.
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